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| Marie Curie |
Maria Sklodowska – que hoje o mundo conhece por Marie Curie – nasceu em Varsóvia (Polônia), em 7 de novembro de 1867. Quinta filha de um professor de matemática e física de escola secundária, a menina loura, de feições delicadas – Manya, como era carinhosamente chamada pelos pais e pelos irmãos –, aprendeu a ler com quatro anos e sempre foi a primeira aluna de sua turma no colégio. Além do polonês, dominava mais quatro idiomas: russo, francês, alemão e inglês.
Depois de obter, em 1883, o diploma do curso secundário, deu aulas particulares e, mais tarde, para sustentar os estudos da irmã Bronia na França, foi governanta. Em 1891, aos 24 anos, partiu para Paris, onde se matriculou na Faculdade de Ciências, na Sorbonne, na qual se licenciou em física e matemática. Em 1893, conheceu o físico Pierre Curie (1859-1906), com quem se casou dois anos depois. Homenagem ao país natal O casamento com Pierre deu início a uma das maiores aventuras da ciência. Ela, para sua tese de doutorado, interessou-se pelos ‘raios de urânio’, descoberta apresentada, em 1896, pelo físico francês Henri Becquerel (1852-1908), para uma Academia de Ciências [de Paris] não muito entusiasmada pelo tema – o interesse naquele momento voltava-se para o tópico seguinte da pauta do dia: os raios X, descobertos por outro físico, o alemão Wilhelm Roentgen (1845-1923), no ano anterior.
Poucos dias depois de iniciar o estudo dos misteriosos raios, Marie descobriu que o tório também emitia raios semelhantes ao do urânio. Por meio de um medidor muito sensível de cargas elétricas (eletrômetro), desenvolvido por Pierre, Marie percebeu que o minério pechblenda era mais radioativo – por sinal, termo inventado por ela – do que o próprio urânio. Isso era evidência de que havia ali um elemento irradiador desconhecido. Em 1898, Pierre e Curie, ao fracionarem aquele minério, descobriram o polônio – homenagem de Marie ao seu país natal –, cerca de 300 vezes mais radioativo que o urânio. Idealismo, teimosia e renúncia Idealistas e abnegados, Pierre e Marie se instalaram em um velho galpão insalubre na Faculdade de Medicina, que fora usado para a dissecação de cadáveres. Foi ali que começaram a ‘caça’ ao elemento rádio. A partir do fracionamento de uma tonelada de resíduo de pechblenda, vinda das minas de Saint-Joachimsthal, da Boêmia (então, no Império Austro-Húngaro), de trabalho duríssimo, o casal obteve um decigrama de rádio puro. Era 1899, e agora esse elemento radioativo – cerca de 100 mil vezes mais radioativo que o urânio – tinha existência oficial. A glória chegou para o casal em 1903, quando dividiu com Becquerel o Nobel de Física. Meses antes da notícia do prêmio, Marie receberia o título de doutora em ciências físicas, com menção honrosa, pela Universidade de Paris. Marie Curie demonstrou que boa ciência se faz com determinação, idealismo, teimosia e, sobretudo, renúncia – seus anos como estudante em Paris foram um período de muitas dificuldades financeiras e materiais. Seu trabalho até hoje é sinônimo de todos esses adjetivos que caracterizam os verdadeiros cientistas. No Brasil Marie e sua filha Irene Curie (1897-1956) visitaram, depois de breve estada no Rio de Janeiro, o Instituto do Radium, em Belo Horizonte, em 17 de agosto de 1926. No dia seguinte, Marie fez uma conferência na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. O médico brasileiro Álvaro Alvim (1863-1928) especializou-se, em 1897, em física médica com a equipe de Pierre e Marie Curie.
Irene e o marido, Jean-Frédéric Joliot (1900-1958), receberam, em 1935, um ano após a morte de Marie Curie, o prêmio Nobel de Química, pela obtenção dos primeiros elementos radioativos artificiais – em outras palavras, por mostrarem que elementos estáveis podem ser transformados, por reações nucleares, em radioativos. Assim, de certo modo, reproduziram os feitos e a glória do casal Curie.
Em 1911, Marie Curie recebeu seu segundo prêmio Nobel, este de química, cujo centenário está sendo comemorado este ano, em todo mundo, juntamente com o Ano Internacional da Química, homenagem a essa grande cientista, cujo legado para a ciência moderna é imensurável, bastando citar os diagnósticos e tratamentos médicos resultantes de seus trabalhos que vêm salvando um sem-número de vidas desde então.
Depois de obter, em 1883, o diploma do curso secundário, deu aulas particulares e, mais tarde, para sustentar os estudos da irmã Bronia na França, foi governanta. Em 1891, aos 24 anos, partiu para Paris, onde se matriculou na Faculdade de Ciências, na Sorbonne, na qual se licenciou em física e matemática. Em 1893, conheceu o físico Pierre Curie (1859-1906), com quem se casou dois anos depois. Homenagem ao país natal O casamento com Pierre deu início a uma das maiores aventuras da ciência. Ela, para sua tese de doutorado, interessou-se pelos ‘raios de urânio’, descoberta apresentada, em 1896, pelo físico francês Henri Becquerel (1852-1908), para uma Academia de Ciências [de Paris] não muito entusiasmada pelo tema – o interesse naquele momento voltava-se para o tópico seguinte da pauta do dia: os raios X, descobertos por outro físico, o alemão Wilhelm Roentgen (1845-1923), no ano anterior.
Poucos dias depois de iniciar o estudo dos misteriosos raios, Marie descobriu que o tório também emitia raios semelhantes ao do urânio. Por meio de um medidor muito sensível de cargas elétricas (eletrômetro), desenvolvido por Pierre, Marie percebeu que o minério pechblenda era mais radioativo – por sinal, termo inventado por ela – do que o próprio urânio. Isso era evidência de que havia ali um elemento irradiador desconhecido. Em 1898, Pierre e Curie, ao fracionarem aquele minério, descobriram o polônio – homenagem de Marie ao seu país natal –, cerca de 300 vezes mais radioativo que o urânio. Idealismo, teimosia e renúncia Idealistas e abnegados, Pierre e Marie se instalaram em um velho galpão insalubre na Faculdade de Medicina, que fora usado para a dissecação de cadáveres. Foi ali que começaram a ‘caça’ ao elemento rádio. A partir do fracionamento de uma tonelada de resíduo de pechblenda, vinda das minas de Saint-Joachimsthal, da Boêmia (então, no Império Austro-Húngaro), de trabalho duríssimo, o casal obteve um decigrama de rádio puro. Era 1899, e agora esse elemento radioativo – cerca de 100 mil vezes mais radioativo que o urânio – tinha existência oficial. A glória chegou para o casal em 1903, quando dividiu com Becquerel o Nobel de Física. Meses antes da notícia do prêmio, Marie receberia o título de doutora em ciências físicas, com menção honrosa, pela Universidade de Paris. Marie Curie demonstrou que boa ciência se faz com determinação, idealismo, teimosia e, sobretudo, renúncia – seus anos como estudante em Paris foram um período de muitas dificuldades financeiras e materiais. Seu trabalho até hoje é sinônimo de todos esses adjetivos que caracterizam os verdadeiros cientistas. No Brasil Marie e sua filha Irene Curie (1897-1956) visitaram, depois de breve estada no Rio de Janeiro, o Instituto do Radium, em Belo Horizonte, em 17 de agosto de 1926. No dia seguinte, Marie fez uma conferência na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. O médico brasileiro Álvaro Alvim (1863-1928) especializou-se, em 1897, em física médica com a equipe de Pierre e Marie Curie.
Irene e o marido, Jean-Frédéric Joliot (1900-1958), receberam, em 1935, um ano após a morte de Marie Curie, o prêmio Nobel de Química, pela obtenção dos primeiros elementos radioativos artificiais – em outras palavras, por mostrarem que elementos estáveis podem ser transformados, por reações nucleares, em radioativos. Assim, de certo modo, reproduziram os feitos e a glória do casal Curie.
Em 1911, Marie Curie recebeu seu segundo prêmio Nobel, este de química, cujo centenário está sendo comemorado este ano, em todo mundo, juntamente com o Ano Internacional da Química, homenagem a essa grande cientista, cujo legado para a ciência moderna é imensurável, bastando citar os diagnósticos e tratamentos médicos resultantes de seus trabalhos que vêm salvando um sem-número de vidas desde então.
ANGELO DA CUNHA PINTO
Instituto de Química,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto de Química,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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